Brasil, Fevereiro de 2008, com certo deslumbre a sociedade internacional observa transformações significativas em uma “ordem” já consolidada a algumas décadas no panorama da política. Cuba sem seu General, a tradicional e branca sociedade estadunidense na eminência de eleger, para seu máximo posto político, uma mulher ou um negro e a América Latina observando tais rearranjos de maneira a tentar compreender a ruptura ou a continuidade que tais transformações podem acarretar par a sua realidade.
È nesse panorama que se dá o nascimento do blog Mundo em Questão, este que tem como objetivo principal trazer interpretações desse mundo e dos fenômenos de abrangência internacional, e que de certa forma possui impacto no cotidiano de nossos leitores. Neste texto de abertura, procuro, ao invés de tocar em específico à algum tema da agenda intencional, explicitar as idéias que nos acompanharam no desenrolar das nossas explanações, nossas idéias do que de fato constitui as Relações Internacionais.
Estudar as Relações Internacionais ao longo da história da produção do conhecimento, tradicionalmente possui como eixo principal a análise das temáticas recorrentes às ações dos Estados e as implicações que os fenômenos das mesmas causam na realidade interna ou externa dos envolvidos na quentão pensada. Assuntos ligados a Política, Economia e Segurança sempre estiveram em maior evidencia nos estudos de Relações Internacionais, garantiu às Relações Internacionais o status formal que o tradicional meio científico, calcado no conceito moderno de ciência, sempre exigiram.
Respeitar e considerar todos os aspectos formais que os séculos de teoria do conhecimento construíram é logicamente uma preocupação dos estudiosos do Mundo em Questão, porém pesaremos nós em temas que extrapolam as esferas tradicionalmente abordadas quando se pensa em Relações Internacionais enquanto ciência. Desde que pensamos a História por um ponto de vista global, observamos que uma gama enorme de temáticas de abrangência internacional obteve importância significativa para o debate cientifico.
Cada vez mais vemos temas recorrentes à cultura, tanto erudita quanto cotidiana, sutilmente impregnando de forma profunda na realidade internacional. E a partir destes elementos que temas paralelos aparecem, e se apresentam tão próximos à vida comum de nossos leitores. As Relações Intencionais são bem mais próximas à sociedade do que se pode se explicitar as questões tradicionais do panorama Internacional.
Esporte, música e até mesmo aqueles programas que desde muito cedo acostumamos assistir na televisão são de extrema relevância para compreendermos aspectos da realidade internacional, alguns tão próximos de nós. Atualmente existe algo mais internacional do que o Rock and Rool? E o bom e velho futebol? Cada vez mais é de uma importância internacional considerável, basta saber que a FIFA possui mais membros afiliados do que a própria ONU. Isto sem contar na abrangência internacional da mídia, que impulsionada pela modernidade possuiu um alcance o qual a alguns anos fora completamente inimaginável. Nesta semana mesmo observamos uma apresentação conjunta das orquestras filarmônicas da Coréia do Norte e de Nova York. A arte aproximando partes que anos de diplomacia tradicional afastou.
Justamente por procurar considerar temáticas paralelas para o estudo das Relações Internacionais não nos prenderemos teoricamente a esse ou aquele paradigma em específico. Ao observar a enormidade de teorias e paradigmas que se debatem nas Relações Internacionais se nota que além da pretensão se explicar, analisar ou compreender o real existe uma ferrenha rede de relações de poder, o que resulta e uma forte produção de discursos que acaba por se deslocar da “cientificidade” que se pretende para tal disciplina. Teoria, portanto será tratada como instrumento de compreensão e não como “camisa de força” pelos estudiosos do Mundo em Questão.
Desta forma se inicia a proposta de se pensar as Relações Internacionais como de maneira mais livre criativa, procurando abordar temas que estejam próximos da vida de todos sem se amarrar nas estruturas de modelos teóricos que mais se parecem manuais do que realmente produções pensadas e fato.
André Luiz Oliveira Guimarães Pitaluga, Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Goiás, realizou pesquisas de História e Teoria das Relações Internacionais. Atualmente realiza pesquisas independentes sobre Teoria, História e Cultura aplicados às Relações Internacionais.
