quinta-feira, 15 de maio de 2008

Uma Hillary de espada, escudo e elmo na ofensiva



O mundo acordou nessa quinta-feira sem muitos sobressaltos, o que em termos de política internacional é extremamente positivo. O maior destaque fica a cargo da candidata às prévias democratas para a eleição presidencial norte-americana, Hillary Clinton.

Desespero ou premeditação, ninguém saberá o que levou Hillary a se posicionar de forma tão dura no que diz respeito ao Irã. Afirmou que se o Irã fosse à guerra com Israel, “eliminaria” o mesmo. Declaração forte, direta e agressiva.

Talvez o tenha feito por algum motivo em específico, mas é mais natural que o tenha feito, na verdade, por vários motivos. E poderia imaginar alguns deles: para uma mulher, mostrou a força e a truculência que só imaginamos num homem, o que chega a ser um absurdo de nossa parte que sempre enxergamos as mulheres como o sexo frágil; assinalou, como uma americana patriótica, seu desejo em conservar os aliados que os americanos tanto prezam, mostrando assim, ao menos, uma continuidade com o espírito da América; e em último dos casos, tentou angariar votos da ala mais conservadora da sociedade, mostrando que pode assim competir com McCain em termos práticos.

Entretanto, esses motivos fariam sentido se a ação foi fruto de pura premeditação. Não o sendo, sendo apenas reação desesperada ao sucesso de Obama nas prévias, teria outras motivações e não seriam tão nobres ou eficazes assim.

O risco é que a declaração soe ao contrário. O risco é que a população, agora resistente contra a interminável incursão americana no Iraque, repudie qualquer possibilidade de um novo conflito, e com isso, repudie também qualquer possível arauto desse.

Porém, afirmar que a população americana é totalmente convertida ao credo pacifista e intelectual de Obama, é crer demais. Achamos improvável que uma população mude tanto seu espírito coletivo em tão pouco tempo, e achamos difícil que os norte-americanos comuns passem a realmente desprezar muito do que lhes caracteriza como americanos.

Assim, parece improvável acreditar que exista uma repulsa contra atitudes belicistas que revele a todos seu velho espírito de polícia do mundo. O americano padrão não deve ter tanta repulsa do padrão quanto do fato em específico. Talvez o descontentamento acumulado seja contra a guerra do Iraque, e não contra seu espírito intervencionista militar. Se assim o for, Hillary deu uma grande cartada.

Por último, ao menos uma coisa Hillary conseguiu: diferenciar-se substancialmente de seu adversário. E se minha inteligência não falhar, o povo americano em seu conjunto terá sempre uma queda maior pelo candidato com feição de xerife de interior à la Burt Reynolds, que nesse caso é McCain. Se assim o for, Hillary se habilitou mais para ser uma adversária à altura do republicano.

Ainda mantenho meu palpite: Hillary leva as prévias e McCain a eleição. Se for o contrário, se Obama ganhar as prévias, então sustento mais ainda meu segundo palpite, e McCain leva fácil a corrida presidencial. Porque seria difícil imaginar que na hora H, os norte-americanos resolvam substituir seu atacante. E já reza a máxima esportiva que em time que está ganhando não se mexe.

E isso é tudo.

J. F.