segunda-feira, 31 de março de 2008

Cheney afirma ser possível a criação do Estado da Palestina

Rinaud Linhares de Gucci
Bem, caros leitores do mundo em questão, já fazem uns dias me deparei com uma reportagem feita pela BBC Brasil em 23/03/2008 sobre uma declaração do vice-presidente dos EUA Dick Cheney. O título da reportagem era: "Cheney: Criação de Estado Palestino é possível". Destarte de minha vontade, que era a de colocar o texto aqui e ir discutindo trecho por trecho, o que me foi desaconselhado a fazer por questões autorais e de autorização, vou me ater e discutir essa declaração do vice americano. (Reportagem presente no link: http://noticias.br.msn.com/artigo_bbc.aspx?cp-documentid=6576400).
Dick Cheney, em primeiro de tudo, deu essa declaração durante uma viagem oficial que passou por Iraque, Afeganistão, Arábia Saudita e Turquia. O importante com isso é observar que, mais do que uma visita regional, essa visita teve sua região escolhida cuidadosamente. Coube, claramente, o objetivo de visitar os países reconstruídos pela nação mais poderosa do mundo, além de cortejar dois aliados estratégicos.
A criação do Estado Palestino, entretanto, foco central da reportagem, é viável do mesmo nível que o Estado de Israel foi em 1948. Não há terra disponível, desabitada, ou pelo menos não mais do que havia há sessenta anos atrás. Tudo passa, como sempre, por uma questão de vontade política. Se fosse a ONU quem apregoasse a criação do Estado da Palestina, poderíamos dizer que era uma medida compensatória, talvez até quem saiba, com o intuito de fomentar uma balança de poder. Mas não é. A iniciativa central é norte-americana, que apenas agora parece ter dado ouvidos aos anseios do povo palestino. Logo, a questão parece passível de uma análise mais profunda.
Seria a velha tática do bater e assoprar? Ou, seria uma forma de legitimando um Estado Palestino, poder atribuir a este o ônus e as responsabilidades internacionais que todo Estado deve ter? Porque assim, qualquer ação na região, fosse israelita, fosse palestina, resultaria mais ou menos no que aconteceu recentemente na crise entre Colômbia e Equador.
Dois Estados de fato e de direito, mudariam em muito a forma como as coisas caminham na região. Seria mesmo? A declaração de Cheney surge após um encontro com Mahmoud Abbas. Parece mesmo a velha tática do bater e assoprar. Após assolar o mundo muçulmano, uma promessa de criação de um Estado Palestino é como uma brisa suave após uma batalha sangrenta.
O detalhe curioso que pode indicar mais do que estamos pensando surge no trecho da reportagem no qual é mencionado que Bush e Cheney esperam um acordo de paz até janeiro de 2009, ou em outras palavras, até o final do mandato de George W. Bush. Parece que, no fim das contas, o objetivo de Bush pode ser se tornar maior do que parece que será. Destituir Saddam, missão incompleta por seu pai, caçar os resquícios terroristas de vários atentados terroristas até anteriores ao 11 de setembro, e pacificar o Oriente Médio com certeza glorificariam e eternizariam o nome de ambos para a posteridade.
E por fim, Cheney alerta que os ataques com foguete contra Israel pode dificultar, retardar e até mesmo impossibilitar a criação do Estado Palestino. Mais uma forma de, diante das possibilidades, agradar a gregos e troianos.
Rinaud Linhares de Gucci, convidado, é aluno de Relações Internacionais, pretendendo seguir a carreira diplomática após o curso.