André Luiz Oliveira Guimarães Pitaluga
Ao iniciar as explanações sobre a minha visão do desenrolar das Relações Americanas durante esta semana, devo ressaltar a maneira tão peculiar como tal realidade se apresentou aos meus olhos, sendo que esses últimos dias deixaram mais expostas tais peculiaridades do que o normal. Vimos de tudo: terroristas barganhando a troca de reféns sob os olhares do sagaz Chavez; exército violando a soberania territorial do vizinho; e por último, a morte de um líder “revolucionário” e na seqüência, uma série de ofensas explícitas. Por fim, um tom conciliatório paira por tal cenário após intervenção de urgência da Organização dos Estados Americanos.
Gabriel Garcia Marques afirmava que produzir literatura voltada ao Realismo Fantástico na América Latina é uma árdua tarefa, já que a própria realidade latino americana se apresenta como mais surreal do que a própria literatura fantástica. Tal afirmação me parece explicar bem a situação pela qual nossa realidade passou nessa semana. Tal situação estava entre fazer parte do um quadro de Dali e de um seriado cômico mexicano, ao mesmo tempo.
Primeiramente, o que devemos contar como uma violação maior dos princípios de manutenção da paz? Violar a soberania territorial de um país ou financiar, às escuras, um grupo que por anos vem atuando como uma “guarda pretoriana” do crime organizado, matando e seqüestrando em nome de uma causa revolucionária irreal? Foi nesse debate que Equador e Colômbia se agarraram durante o processo que resultou na quebra de suas relações diplomáticas e num estado de fortíssima tensão. Está certo que foi “sem querer querendo”, mas a violação do espaço territorial de um país soberano sempre pode ser considerado um ato hostil e que deve ser evitado. Porém, o governo colombiano afirma que tem provas da ligação do estado equatoriano e venezuelano com as FARC, e que apenas agiu contra uma organização criminosa que encontra abrigo em solo desses países. Assim, nesse caos de exigências de desculpas públicas e na sua recusa, vimos a América do Sul cometer um tremendo absurdo, indo às armas.
Uma guerra na América do Sul, principalmente envolvendo atores como Colômbia, Venezuela e Equador, é tão absurda que pode ser considerada surreal, até mesmo para o histórico da América Latina. Em primeiro lugar, não podemos notar nesses países, muitas condições materiais de se bancar um processo oneroso como este. Suas economias são extremamente frágeis e uma guerra nessa altura dos acontecimentos seria um verdadeiro suicídio, pesando fortemente sobre a já penalizada sociedade civil. Uma guerra seria o total avesso do processo de regionalização que atualmente vem acontecendo na América do Sul. Está certo que não há uma identidade latino americana, nem mesmo há verdadeiramente um latino americano, como já afirmava Jorge Luís Borges, mas ainda assim, uma guerra seria um desastre para esse arranjo de Estados que já é tão frágil na América do Sul. E ainda, é mais absurdo um conflito armado pelo desequilíbrio que há na capacidade de combate desses Estados, já que a Colômbia tem muito mais experiência e estrutura que anos de combate com as FARC lhe renderam. Diante disso, podemos afirmar “que burros, dêem zero pra eles!”.
Para finalizar, levando em conta que a vingança nunca é plena, é encaminhada, em uma reunião de emergência da OEA, numa resolução conciliatória para este litígio, com a Colômbia se desculpando e com o Equador com postura mais serena. O Brasil mesmo não sendo o Mediador oficial do conflito adotou uma postura pacifista, e no fim, acabou tendo seus interesses preservados, mesmo não lançando mão de sua tradicional real politik, que habitualmente utiliza para tratar as relações com seus vizinhos.
Mesmo com a promessa de Uribe de não reeditar a operação que pôs fim a vida de Raúl Reyes, ainda percebemos na Venezuela, reforço militar em suas fronteiras, o que significa que Chávez logo criará um incidente novo para a construção de seu “ideal bolivariano”. E cada vez mais observaremos o presidente venezuelano, não tão simpático quanto seu homônimo mexicano, aprontar disparate encima de disparate na tentativa de construir na América do Sul a sua “Chinforínfola”.
Ao iniciar as explanações sobre a minha visão do desenrolar das Relações Americanas durante esta semana, devo ressaltar a maneira tão peculiar como tal realidade se apresentou aos meus olhos, sendo que esses últimos dias deixaram mais expostas tais peculiaridades do que o normal. Vimos de tudo: terroristas barganhando a troca de reféns sob os olhares do sagaz Chavez; exército violando a soberania territorial do vizinho; e por último, a morte de um líder “revolucionário” e na seqüência, uma série de ofensas explícitas. Por fim, um tom conciliatório paira por tal cenário após intervenção de urgência da Organização dos Estados Americanos.
Gabriel Garcia Marques afirmava que produzir literatura voltada ao Realismo Fantástico na América Latina é uma árdua tarefa, já que a própria realidade latino americana se apresenta como mais surreal do que a própria literatura fantástica. Tal afirmação me parece explicar bem a situação pela qual nossa realidade passou nessa semana. Tal situação estava entre fazer parte do um quadro de Dali e de um seriado cômico mexicano, ao mesmo tempo.
Primeiramente, o que devemos contar como uma violação maior dos princípios de manutenção da paz? Violar a soberania territorial de um país ou financiar, às escuras, um grupo que por anos vem atuando como uma “guarda pretoriana” do crime organizado, matando e seqüestrando em nome de uma causa revolucionária irreal? Foi nesse debate que Equador e Colômbia se agarraram durante o processo que resultou na quebra de suas relações diplomáticas e num estado de fortíssima tensão. Está certo que foi “sem querer querendo”, mas a violação do espaço territorial de um país soberano sempre pode ser considerado um ato hostil e que deve ser evitado. Porém, o governo colombiano afirma que tem provas da ligação do estado equatoriano e venezuelano com as FARC, e que apenas agiu contra uma organização criminosa que encontra abrigo em solo desses países. Assim, nesse caos de exigências de desculpas públicas e na sua recusa, vimos a América do Sul cometer um tremendo absurdo, indo às armas.
Uma guerra na América do Sul, principalmente envolvendo atores como Colômbia, Venezuela e Equador, é tão absurda que pode ser considerada surreal, até mesmo para o histórico da América Latina. Em primeiro lugar, não podemos notar nesses países, muitas condições materiais de se bancar um processo oneroso como este. Suas economias são extremamente frágeis e uma guerra nessa altura dos acontecimentos seria um verdadeiro suicídio, pesando fortemente sobre a já penalizada sociedade civil. Uma guerra seria o total avesso do processo de regionalização que atualmente vem acontecendo na América do Sul. Está certo que não há uma identidade latino americana, nem mesmo há verdadeiramente um latino americano, como já afirmava Jorge Luís Borges, mas ainda assim, uma guerra seria um desastre para esse arranjo de Estados que já é tão frágil na América do Sul. E ainda, é mais absurdo um conflito armado pelo desequilíbrio que há na capacidade de combate desses Estados, já que a Colômbia tem muito mais experiência e estrutura que anos de combate com as FARC lhe renderam. Diante disso, podemos afirmar “que burros, dêem zero pra eles!”.
Para finalizar, levando em conta que a vingança nunca é plena, é encaminhada, em uma reunião de emergência da OEA, numa resolução conciliatória para este litígio, com a Colômbia se desculpando e com o Equador com postura mais serena. O Brasil mesmo não sendo o Mediador oficial do conflito adotou uma postura pacifista, e no fim, acabou tendo seus interesses preservados, mesmo não lançando mão de sua tradicional real politik, que habitualmente utiliza para tratar as relações com seus vizinhos.
Mesmo com a promessa de Uribe de não reeditar a operação que pôs fim a vida de Raúl Reyes, ainda percebemos na Venezuela, reforço militar em suas fronteiras, o que significa que Chávez logo criará um incidente novo para a construção de seu “ideal bolivariano”. E cada vez mais observaremos o presidente venezuelano, não tão simpático quanto seu homônimo mexicano, aprontar disparate encima de disparate na tentativa de construir na América do Sul a sua “Chinforínfola”.
André Luiz Oliveira Guimarães Pitaluga, Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Goiás, realizou pesquisas de História e Teoria das Relações Internacionais. Atualmente realiza pesquisas independentes sobre Teoria, História e Cultura aplicados às Relações Internacionais.
