
É fato que nos últimos anos o Euro ganhou espaço no mundo, tanto em importância quanto em valor real. E esse parece ser o tópico mais significativo da semana do Itamaraty.
O Tribunal de Contas da União recomendou que o Ministério das Relações Exteriores adote a moeda na prestação de contas das representações postadas em países em que a moeda seja de uso corrente. Atualmente, o Itamaraty gasta cerca de 90% de suas contas nas embaixadas e representações no estrangeiro e costuma fazê-lo em dólar, de acordo com informação do jornal A Tarde.
O uso indiscriminado do dólar deve ser repensado, principalmente em países nos quais as contas sejam pagas em euros. Isso poderia evitar descompassos nas contas e gastos execessivos, mas em todo caso, apenas prova o óbvio: a decadência do dólar.
Não é de hoje que o dólar vem em baixa. Foi substituído nos negócios internacionais de todas as áreas, das importações e exportações de alguns Estados às transações bancárias e esportivas. O governo do Iraque de Saddam Hussein já havia substituído suas reservas em dólar, muito em função de motivos políticos, mas sabiamente também numa racional aposta econômica.
O Brasil não parece dar mostras de trocar suas reservas monetárias em dólar por reservas em euros. Mas a sinalização de repensar as contas de determinados órgãos é uma mostra de que mesmo assim, o dólar já não é mais a rainha do baile da primavera.
Mudando de assunto, a reforma agrária proposta pelo presidente recém-eleito do Paraguai, Fernando Lugo, parece não incomodar o Itamaraty. Para este, a reforma agrária de Lugo deve se focar mais nas áreas mais pobres do que na região do Alto Paraná, a qual é dominada por produtores brasileiros, os chamados brasiguaios, e forte produtora de soja para exportação. Para o acessor especial do Itamaraty, se Lugo levar o conceito de reforma agrária para todo o país e focar em aspectos como o dos brasiguaios, isso seria um verdadeiro “tiro no pé”
É verdade que fazer política social às custas dos eventuais sucessos que seu país encontra em qualquer área econômica não chega a ser uma proeza de planejamento e estratégia. Mas pode ser um trunfo político, já que a questão dos brasiguaios em muito incomoda a população paraguaia em geral. O importante nessa questão é perceber que para se ser líder e exercer hegemonia é preciso ter comportamento e postura de quem o deseja fazer. O Brasil do presidente Lula não faz. Assim, constantemente é questionado, vítima sempre do excesso de caridade ideológica do ex-sindicalismo de Lula. Não é bonito ser imperialista. Mas quando se é, chega a ser mais feio fingir não sê-lo.
J. F.
