Desde sempre, as Relações Internacionais teve seu leque amplo, não se limitando só às relações entre Estados, sejam políticas ou militares, ainda que para alguns, o militar será um dos extremos da política. Se não me engano, um autor de nome Clausevitz falava algo sobre isso.
Com o aumento da velocidade dos meios de comunicações, além do advento de novas tecnologias, as regras e a forma como essas relações se dão em muito se modificaram, além de em muito se intensificarem.
A globalização, fenômeno amplamente comentado apesar de um total esvaziamento de sentido que muitas vezes incorrem, não é um acontecimento novo. Antigo, eu me ousaria relacioná-lo totalmente com o fenômeno da mundialização, presente desde que as relações financeiras se dão na forma de um mercado supranacional.
Marcas e produtos se internacionalizaram sempre. Além de hábitos. O que dizer da importação constante que os romanos faziam de vários hábitos dos povos conquistados. Importaram a cultura grega, estratégias e aprendizados militares, hábitos domésticos bárbaros. As classes abastadas, ou as elites, geralmente mercadores ou ricos proprietários de terra, sempre se deram o luxo de usufruir do que havia de melhor em outras regiões. Ao longo dos anos, com o advento de novas tecnologias nos transportes, esse costume se intensificou. Conversando a idéia desse artigo com o editor Odair, este me advertiu entretanto para uma obra de Fernand Braudel que parece aludir para o fato de que, ao menos em importâncias alimentícias, esse tráfego de importações não se intensificou de maneira significativa antes do século XIX. Mas vá lá. Ainda que em pequenas porções destinadas para o consumo das elites, o caviar russo, a seda italiana e outras iguarias intensificariam esse processo.
Hoje, entretanto, produtos são sinais de hábitos, e importá-los, muitas vezes, ou quase sempre, coincide em importar um estilo de vida. E em alguns casos recentes, os produtos nada mais são que abstrações. O que dizer da internet e de suas tão declamadas vantagens?
Mas o que mais me detém a atenção nesse mercado global, e o que mais acho que intimamente se relaciona com o espírito das Relações Internacionais, são os produtos de luxo. Um produto de luxo, verdadeiramente, é a mais genuína incorporação de hábitos estilizados. O que dizer de uma bolsa Louis Vitton, um relógio Rolex ou uma Maserati?
Vamos ao caso da Maserati. Dirigir um carro veloz, que mais que um meio de condução, se torna num meio de vida e de expressão. Dirigir uma Maserati não fará sentido se não tiver um Omega no braço, uma camisa Hugo Boss, e ao seu lado, uma mulher trajando alta costura, talvez Channell, uma bolsa Vitton e um sapato Prada. Longe de mim o esnobismo, mas observem que isso tudo se constitui num verdadeiro estilo de vida. Caro, mas acessível a quem dele puder usufruir, cuja única limitação seria financeira, salvo nacionalidade, cor ou credo.
O capitalismo então cria regras próprias para como as relações interpessoais e as Relações Internacionais se dão. No fundo, cria categorias universais de produtores e consumidores, situa as pessoas numa universal divisão societal. Muito parelho isso, aliás, com o que Marx discutia n'O Capital.
Independentemente de ser em Wall Street, ou na Alameda Santos, um homem de negócio parecerá e disfrutará dos mesmos mimos e aparência. E os privilégios de uma classe social transcenderão fronteiras, e serão usufruídos na China comunista, assim bem como nos Alpes suíços. Não só nas altas classes sociais, mas na chamada classe média também, numa americanização genuína e forte de nossos hábitos e costumes. Em Cuba existem lojas para as elites comprarem seus tênis Adidas, assim bem como seu principal produto, o Charuto, terá suas edições mais caras destinadas à exportação e consumo das pessoas mais abastadas do regime. Logo, globalização me parece mais do que uma expressão sem sentido.
Juliano Mendes Ceccatti, convidado, é leitor dedicado do blog, além de curioso e ávido por novas informações e novas áreas de conhecimento. Cursou até o quinto período de Direito, mas se formou mesmo em Administração. Atualmente faz MBA, tem cursos de especialização em Comércio Exterior, e trabalha na área empresarial.
Com o aumento da velocidade dos meios de comunicações, além do advento de novas tecnologias, as regras e a forma como essas relações se dão em muito se modificaram, além de em muito se intensificarem.
A globalização, fenômeno amplamente comentado apesar de um total esvaziamento de sentido que muitas vezes incorrem, não é um acontecimento novo. Antigo, eu me ousaria relacioná-lo totalmente com o fenômeno da mundialização, presente desde que as relações financeiras se dão na forma de um mercado supranacional.
Marcas e produtos se internacionalizaram sempre. Além de hábitos. O que dizer da importação constante que os romanos faziam de vários hábitos dos povos conquistados. Importaram a cultura grega, estratégias e aprendizados militares, hábitos domésticos bárbaros. As classes abastadas, ou as elites, geralmente mercadores ou ricos proprietários de terra, sempre se deram o luxo de usufruir do que havia de melhor em outras regiões. Ao longo dos anos, com o advento de novas tecnologias nos transportes, esse costume se intensificou. Conversando a idéia desse artigo com o editor Odair, este me advertiu entretanto para uma obra de Fernand Braudel que parece aludir para o fato de que, ao menos em importâncias alimentícias, esse tráfego de importações não se intensificou de maneira significativa antes do século XIX. Mas vá lá. Ainda que em pequenas porções destinadas para o consumo das elites, o caviar russo, a seda italiana e outras iguarias intensificariam esse processo.
Hoje, entretanto, produtos são sinais de hábitos, e importá-los, muitas vezes, ou quase sempre, coincide em importar um estilo de vida. E em alguns casos recentes, os produtos nada mais são que abstrações. O que dizer da internet e de suas tão declamadas vantagens?
Mas o que mais me detém a atenção nesse mercado global, e o que mais acho que intimamente se relaciona com o espírito das Relações Internacionais, são os produtos de luxo. Um produto de luxo, verdadeiramente, é a mais genuína incorporação de hábitos estilizados. O que dizer de uma bolsa Louis Vitton, um relógio Rolex ou uma Maserati?
Vamos ao caso da Maserati. Dirigir um carro veloz, que mais que um meio de condução, se torna num meio de vida e de expressão. Dirigir uma Maserati não fará sentido se não tiver um Omega no braço, uma camisa Hugo Boss, e ao seu lado, uma mulher trajando alta costura, talvez Channell, uma bolsa Vitton e um sapato Prada. Longe de mim o esnobismo, mas observem que isso tudo se constitui num verdadeiro estilo de vida. Caro, mas acessível a quem dele puder usufruir, cuja única limitação seria financeira, salvo nacionalidade, cor ou credo.
O capitalismo então cria regras próprias para como as relações interpessoais e as Relações Internacionais se dão. No fundo, cria categorias universais de produtores e consumidores, situa as pessoas numa universal divisão societal. Muito parelho isso, aliás, com o que Marx discutia n'O Capital.
Independentemente de ser em Wall Street, ou na Alameda Santos, um homem de negócio parecerá e disfrutará dos mesmos mimos e aparência. E os privilégios de uma classe social transcenderão fronteiras, e serão usufruídos na China comunista, assim bem como nos Alpes suíços. Não só nas altas classes sociais, mas na chamada classe média também, numa americanização genuína e forte de nossos hábitos e costumes. Em Cuba existem lojas para as elites comprarem seus tênis Adidas, assim bem como seu principal produto, o Charuto, terá suas edições mais caras destinadas à exportação e consumo das pessoas mais abastadas do regime. Logo, globalização me parece mais do que uma expressão sem sentido.
Juliano Mendes Ceccatti, convidado, é leitor dedicado do blog, além de curioso e ávido por novas informações e novas áreas de conhecimento. Cursou até o quinto período de Direito, mas se formou mesmo em Administração. Atualmente faz MBA, tem cursos de especialização em Comércio Exterior, e trabalha na área empresarial.
