segunda-feira, 24 de março de 2008

A ocupação americana no Iraque

Tayla de Campos Rocha
Bom, gostaria antes de tudo de agradecer aos meninos do Mundo em Questão por me convidarem a escrever para esse blog que desde o início me encantou pela proposta e pelas idéias aqui presentes. Espero poder discutir as questões das Relações Internacionais com o mesmo espírito dinâmico que tenho visto e acompanhado os outros escritores fazerem, apesar dessa não ser minha formação específica. Assim, torço para que esse seja o primeiro artigo de muitos e que no fim os leitores gostem do meu jeito de escrever como gosto do que vejo aqui quase diariamente. Vamos lá!
Quando os reis europeus, através do papado, organizaram e selaram a criação de Ordens militares e religiosas como a dos cavaleiros templários e hospitalários com o objetivo de reconquistar e controlar a terra santa, nessa já haviam séculos que sua política oscilava entre a estabilidade e a instabilidade.
Terra de ninguém, o povo de Israel que por lá vivia, a abandonou em busca de terras cultiváveis e férteis e seguiu para o Egito, como a própria bíblia relata. A História sustenta o êxodo com provas aceitáveis e justifica a ação como fruto provável de uma grande seca na região. Quando os judeus regressaram ao seu pedaço de paraíso na terra, este já era ocupado por outras etnias. Reconquistá-lo foi um processo árduo. A páscoa judaica comemora justamente essa volta.
Desde então, a região foi assolada por diversas guerras e conquistas. Os romanos estiveram lá, e por fim, os muçulmanos. O povo de Alá chegou lentamente à região e em meados da baixa idade média tomou em definitivo a terra santa. Destruiu uma série de castelos e fortificações cristãs-ocidentais naquela localidade, e consolidou um domínio próprio, além de desarticular muitas das organizações católicas criadas para a questão.
Mais do que organização interna, os muçulmanos de Saladino e de outros tempos, provaram que sabiam se organizar, perseverar e se unir no combate a um inimigo externo. Uma lição que às vezes é esquecida por nós até hoje.
Um secretário do governo iraquiano afirmou que a segurança no Iraque está cada vez melhor. De fato, as fontes de notícias internacionais não negam isso, mas os 30 mil soldados a mais enviados pelos EUA para o país com o intuito de atuar nas áreas mais perigosas pode ser a resposta para essa afirmação.
A questão principal parece ser que a retirada das tropas americanas do Iraque pode estar bem longe e de que o sucesso da missão norte-americana nem tão certo assim. Manter a democracia do Iraque e pacificar o país pode ser um trunfo se não houver envolvimento político e social de toda a população nacional?
Mais uma vez, os descendentes de Saladino se mostram eficazes quando o objetivo é destruir ou vencer um inimigo externo, apesar de internamente não se entenderem muito bem. Parece às vezes que o recado do islão para nós do ocidente é: deixem-nos em paz para resolvermos nossas próprias diferenças ao nosso modo.
Membros do Fatah e do Hamas conversaram e selaram no Iêmen um acordo para o início das negociações de paz na Palestina. Mas poucas horas depois o acordo parece já estar ruindo por divergências entre eles. Assim, da mesma forma, o domingo de páscoa deixou mais de 30 mortos no Iraque, resultados direto principalmente do conflito entre sunitas e xiitas. Mais uma vez, os muçulmanos não parecem internamente homogêneos. Mas e externamente?
Será que o resultado da incursão no Iraque não terminará por ser um longo tempo desperdiçado, sem falar em vidas, dinheiro e armamentos? Será que ao fim da ocupação norte-americana vamos ver a história da terra santa dos templários se repetir? Após pacientemente esperar, lutar e perseverar, o islão provará ao ocidente que não poderá simplesmente influenciar diretamente seu mundo? Só o tempo nos dirá.

Tayla de Campos Rocha, convidada, é formada em jornalismo, estudiosa e interessada nas questões internacionais e no movimento feminista. Atualmente, atua no terceiro setor trabalhando junto à ONG's que observam a participação feminina na política e nos movimentos sociais.