quarta-feira, 9 de abril de 2008

Críticas pelas Forças Profundas

Hélio Afonso Filho

Antes de qualquer coisa devo falar que os textos aqui reproduzidos estão fazendo a minha relapsa mente formigar de idéias novas e dando vontade cada vez mais de produzir ensaios tão bons quanto dos meus companheiros de Blog. Queria fazer algo novo para justificar esse tempo fora e depois que li um artigo da semana passada, resolvi escrever algumas críticas sobre os fatos que mexeram com o cenário internacional.

O que anda mais preocupando e mexendo com o cotidiano mais próximo de nós é o caso da refém colombiana Ingrid Betancourt. O que se pode falar de um caso que extrapola as medidas da razão e passa a ser mais um ingrediente da realidade fantástica da América do Sul? Ainda não entendi a lógica de se fazer refém uma pessoa dentro de seu país por tanto tempo, será que eles estão tentando fazer um “remake” do sucesso de Hollywood, “Esqueceram de Mim”? Se for isso, seria legal chamarem o Macaulyn Culkin para elaborar novamente o plano HO-HO-HO, pois Sarkozy e Chávez mais parecem os “Bandidos Molhados”, sofrendo com as peripécias dos pestinhas das FARC.

Falando nas forças revolucionárias, elas me fazem lembrar de outro filme, “Rebelde Sem Causa”. A motivação dissipou-se nas areias do tempo, talvez agora eles entraram em uma fase de adolescência e não sabem o que querem da vida e estão agora se preparando para o vestibular, a fim de que algum dia eles alcancem o status de inimigos de estado ou dos Estados Unidos. Por enquanto eles só servem de desculpa para incursões de tropas americanas que tem por missão principal treinar os soldados colombianos para que futuramente sejam cúmplices de um combate para proteger a suas maiores fontes de recursos naturais, a floresta amazônica e o aqüífero Guarani, este último já sendo explorado e defendido, numa bela estratégia ofensiva-defensiva, pelo ícone norte-americano, a Coca-Cola. Alguém aí sabe qual foi o verdadeiro motivo pelo qual eles se rebelaram pela primeira vez? Só recorrendo aos livros de história, ao Google ou qualquer outra forma de pesquisa. Atualmente só sabemos que eles querem fazer um troca-troca com o governo, a vida da moribunda Betancourt pela liberdade de um punhado de comparsas revolucionários. Que me desculpe a bela Carla Bruni, a fera Kirchner ou mesmo as belas intenções dos Direitos Humanos, mas não troco uma mulher por um bando de perigosos líderes revolucionários, é questão de bom senso, ou melhor, maquiavelismo político. Os heróis latino-americanos tendem ao drama e não a glória ficaria melhor se pudéssemos ao fim de todo esse rebuliço escrever um romance aos moldes do fenomenal João Cabral de Melo Neto com o título de Morte Vida Betancourt.

Voltando ao complexo de James Dean, o exemplo tupiniquim está assentado na reitoria da UNB. É incrível como os estudantes daquela instituição de ensino conseguem se revoltar contra um reitor aficionado pela arte de decoração de interiores e não fazem a menor questão de se mobilizarem contra a corrupção que assola toda a sociedade brasileira. É claro que o caso do Reitor-Decorador também faz parte da confusa rede de corrupção dos altos poderes do país, mas isso é ver a árvore e não a floresta! Desculpe-me se insisto nessa metáfora marxista, mas o buraco da corrupção do Brasil é mais embaixo e sobrevive em cada relação microfísica de poder, mostrando que o inimigo é mais íntimo que o Brad Pitt naquele famoso filme. Neste imbróglio todo fico me questionando sobre o papel da UNE e de outros órgãos de defesa estudantil que sempre é muito ligado a partidos políticos e esquecem da neutralidade necessária para se posicionarem a favor dos interesses dicentes. Pensando nisso, qual foi a última ação efetiva deles depois dos caras-pintadas? Invadir uma reitoria é diminuir por demais a história da ação estudantil no país. Esse radicalismo só levará a confrontos desnecessários com as instituições coercitivas. Enquanto isso, o alvo principal dessa revolta, assiste e dá risadas em seu super apartamento, com sua TV de Plasma, pois, mesmo com essa mini-pressão popular, insiste em ficar no comando.

Posso estar sendo mais crítico que o normal e fugindo um pouco do cerne das Relações Internacionais, mas depois de toda essa semana sem escrever, deu muito tempo de indignar e de repudiar algumas ações. Como um bom internacionalista, sou adepto da diplomacia até o fim das possibilidades, não aceito tais medidas radicais que por fim fazem todos perderem a racionalidade que pessoas de alto nível educacional deveriam ter. Posso também ser criticado por essas posições assumidas, o que seria do mundo se não houvesse discórdias? Mas isso não me preocupa, se me taxarem de maquiavélico assumo como elogio, o preocupante são as “Forças Profundas” no meio de todas essas ações.



Hélio Afonso Filho, da equipe do Mundo em Questão, graduado em Relações Internacionais pela UCG, pós-graduando em Administração de Empresas pela FGV. Atualmente trabalha na ONG Associação dos Amigos da Anapolina, onde desenvolve trabalhos de Marketing e Relações com Investidores. Também se dedica aos estudos sobre processos de Integração no caso Europeu e Latino Americano e desenvolve também trabalhos na área Futebol-Relações Internacionais.