Tayla de Campos Rocha
Olá! Toda a discussão sobre a libertação ou não de Ingrid Betancourt tem mexido bastante comigo. Primeiro, porque mexe com minha humanidade pensar em alguém que está a seis anos num cativeiro. Seis anos é tempo demais para que alguém esteja privado de sua liberdade. Em seis anos muitas coisas podem acontecer. Basta pensar que a atual guerra do Iraque tem cinco anos. Que seis anos era a idade do menino João Hélio que chocou o país com sua morte violenta e trágica.
Mas não é só isso o que espanta no caso de Ingrid Betancourt. Seu debilitado estado de saúde, também. Embora haja discussão acerca dessa matéria, não podemos deixar de constatar que qualquer pessoa que esteja tanto tempo privada de liberdade num cativeiro no meio da floresta, provavelmente apresenta saúde inferior a quem goza perfeitamente de sua saúde em estado de liberdade.
As FARC afirmam que só libertarão Betancourt se houver um acordo global para troca de prisioneiros e reféns. Entretanto, França e Suíça têm uma missão empenhada na libertação de Ingrid já em curso. O inaceitável é que, para libertar uma refém doente e debilitada, tenhamos que colocar de novo na ativa mais militantes de uma luta cruel e sangrenta.
Mas será que ainda é possível creditar de valor uma luta que se utiliza de meios tão pouco humanitários para alcançar seus objetivos? Será que ainda é possível respeitar a iniciativa das FARC diante de provas irrefutáveis de seus métodos para alcançar o poder? Será que os fins justificarão tanto assim os meios?
Parece faltar racionalidade e bom senso em casos como o da Colômbia. Porque no final, independentemente de qual lado seja vencedor, a sociedade colombiana foi a grande perdedora. No final, quem ganhar, terá alcançado uma vitória de Pirro.
Às vezes, o que nos parece numa análise distanciada e fria é que, nem a guerrilha, nem o governo, procuram mais ganhar essa batalha. O governo luta obedecendo sua determinação de assegurar a segurança e sua existência soberana. A guerrilha, luta uma luta que não pode mais ganhar apenas para não desistir de uma causa esvaziada de significado e assim não ceder ao óbvio.
Pirraças à parte, a sociedade colombiana vai sofrendo. Mortes, seqüestros, sem falar nas intervenções e eternas discussões externas sobre seus assuntos próprios. A política colombiana é pauta em discussões ao redor do mundo devido em grande parte à incapacidade dos lados beligerantes em chegarem a um acordo palusível sobre parte de seus problemas. Mas qual seria o problema específico da Colômbia?
Os índices revelam números mais positivos do que muitos países ao redor do mundo. Mais, por exemplo, do que o Zimbábue, alvo de discussão recentemente nesse blog. E pasmem, seus indicadores não sáo os piores da América.
O governo colombiano, democrático, aliás, com alternância no poder de governantes, não é o mais corruptível do mundo, nem dos mais negligentes da atualidade. Suas relações exteriores também se dão em escala regular, estável e equilibrada. Então, qual seria o problema da colômbia?
Em Paris, local aliás que já passa por protestos por causa da tocha olímpica, uma passeata foi organizada a favor da libertação de Ingrid Betancourt e contou com a participação, entre outras, de Carla Bruni, atual primeira-dama francesa, e Cristina Kirshner, chefe da argentina. Cristina Kirshner clamou que todos os países da América Latina colaborem para a troca humanitária que pode resgatar Ingrid Betancourt. Mas esse também não parece ser o problema real da Colômbia. Alguém se arriscaria a dizer qual é o problema real da Colômbia?
Odair J. de Araújo Junior, da equipe Mundo em Questão, é graduado em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"(UNESP), se dedica à produção e ao estudo literário.
Olá! Toda a discussão sobre a libertação ou não de Ingrid Betancourt tem mexido bastante comigo. Primeiro, porque mexe com minha humanidade pensar em alguém que está a seis anos num cativeiro. Seis anos é tempo demais para que alguém esteja privado de sua liberdade. Em seis anos muitas coisas podem acontecer. Basta pensar que a atual guerra do Iraque tem cinco anos. Que seis anos era a idade do menino João Hélio que chocou o país com sua morte violenta e trágica.
Mas não é só isso o que espanta no caso de Ingrid Betancourt. Seu debilitado estado de saúde, também. Embora haja discussão acerca dessa matéria, não podemos deixar de constatar que qualquer pessoa que esteja tanto tempo privada de liberdade num cativeiro no meio da floresta, provavelmente apresenta saúde inferior a quem goza perfeitamente de sua saúde em estado de liberdade.
As FARC afirmam que só libertarão Betancourt se houver um acordo global para troca de prisioneiros e reféns. Entretanto, França e Suíça têm uma missão empenhada na libertação de Ingrid já em curso. O inaceitável é que, para libertar uma refém doente e debilitada, tenhamos que colocar de novo na ativa mais militantes de uma luta cruel e sangrenta.
Mas será que ainda é possível creditar de valor uma luta que se utiliza de meios tão pouco humanitários para alcançar seus objetivos? Será que ainda é possível respeitar a iniciativa das FARC diante de provas irrefutáveis de seus métodos para alcançar o poder? Será que os fins justificarão tanto assim os meios?
Parece faltar racionalidade e bom senso em casos como o da Colômbia. Porque no final, independentemente de qual lado seja vencedor, a sociedade colombiana foi a grande perdedora. No final, quem ganhar, terá alcançado uma vitória de Pirro.
Às vezes, o que nos parece numa análise distanciada e fria é que, nem a guerrilha, nem o governo, procuram mais ganhar essa batalha. O governo luta obedecendo sua determinação de assegurar a segurança e sua existência soberana. A guerrilha, luta uma luta que não pode mais ganhar apenas para não desistir de uma causa esvaziada de significado e assim não ceder ao óbvio.
Pirraças à parte, a sociedade colombiana vai sofrendo. Mortes, seqüestros, sem falar nas intervenções e eternas discussões externas sobre seus assuntos próprios. A política colombiana é pauta em discussões ao redor do mundo devido em grande parte à incapacidade dos lados beligerantes em chegarem a um acordo palusível sobre parte de seus problemas. Mas qual seria o problema específico da Colômbia?
Os índices revelam números mais positivos do que muitos países ao redor do mundo. Mais, por exemplo, do que o Zimbábue, alvo de discussão recentemente nesse blog. E pasmem, seus indicadores não sáo os piores da América.
O governo colombiano, democrático, aliás, com alternância no poder de governantes, não é o mais corruptível do mundo, nem dos mais negligentes da atualidade. Suas relações exteriores também se dão em escala regular, estável e equilibrada. Então, qual seria o problema da colômbia?
Em Paris, local aliás que já passa por protestos por causa da tocha olímpica, uma passeata foi organizada a favor da libertação de Ingrid Betancourt e contou com a participação, entre outras, de Carla Bruni, atual primeira-dama francesa, e Cristina Kirshner, chefe da argentina. Cristina Kirshner clamou que todos os países da América Latina colaborem para a troca humanitária que pode resgatar Ingrid Betancourt. Mas esse também não parece ser o problema real da Colômbia. Alguém se arriscaria a dizer qual é o problema real da Colômbia?
Odair J. de Araújo Junior, da equipe Mundo em Questão, é graduado em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"(UNESP), se dedica à produção e ao estudo literário.
