
Essa semana foi de fato conturbada e agitada no mundo. Começamos pelo sempre noticiado Oriente Médio.
Agora a bola da vez parece ser o Líbano que vive ainda momentos de tensão que poderiam culminar a qualquer instante numa guerra. O Hezbollah transformou o governo libanês em alvo também de sua fúria e de sua Jihad após esse ter fechado seu centro de comunicações e decidir por mantê-lo fechado. A alegação das lideranças do Hezbollah, movimento criado para resistir a Israel, diz que o Líbano se tornou um inimigo porque começou a defender os interesses daqueles que querem o fim do Hezbollah e a vitória de Israel.
A liga Árabe enviou recentemente repesentantes para tentar apaziguar os ânimos exaltados que ameaçaram colocar em xeque a paz relativa que o Líbano enfrenta, se comparado a outros países da região. O país entretanto, ainda não descarta o clima de animosidade, e pode estar à beira de uma guerra civil.
Conturbações no Oriente Médio nunca ficam por conta apenas de um país. A faixa de Gaza está sem fornecimento de luz elétrica porque o governo de Israel não permite a entrega de combustíveis para a principal usina que fornece energia para a região. O apagão já dura alguns dias. Uma atitude, acreditamos, não muito eficaz no plano da busca pelo entendimento e arrefecimento das beligerâncias. A Jihad não parece facilmente se encantar com os sonhos da paz globalizada ocidental e esquecer Israel. E Israel não parece interessado em esquecer a Jihad.
A tragédia no Mianmar parece estar se transformando em pesadelo pessoal para muitas pessoas fora do país. Dois acessores do candidato republicano à Casa Branca, John McCain, foram afastados da campanha após ter sido provada ligações desses com a junta militar que governa no país asiático. Ambos pertencentes a uma empresa de lobby denominada DCI, se envolveram, num passado próximo, com a junta militar ao serem contratados para eleborar uma campanha que melhorasse a imagem da junta nos EUA, campanha a qual incluía até mesmo acusações contra a conduta do governo Bush em relação à denúncia de violação dos Direitos Humanos no Mianmar. Um problema para McCain resolver e descascar se ainda quiser manter a vantagem contra seus possíveis adversários políticos na campanha presidencial que hoje as pesquisas simuladas de opinião indicam.
No Mianmar, problemas seguidos de problemas. A ONU já teve dificuldades de levar ajuda aos desabrigados pelo furacão Nargis e recentemente, assim como muitas autoridades internacionais, se opôs veementemente contra a realização de um referendo no sábado último para aprovação de um nova constituição proposta pela junta militar que governa o país. O governo do Mianmar não adiou e manteve o referendo, que de fato foi realizado nesse sábado que passou. Apesar do governo afirmar que o referendo é importante e urgente porque permite a volta à normalidade democrática em 2010, movimentos pelo restabelecimento da democracia no país apontam para o fato de que a nova constituição apenas solidifica mais ainda a permanência da junta militar no poder indefinidamente, assim como acusam o governo de não empenhar todos os esforços necessários no auxílio às vítimas do furacão para poupar recursos à realização do referendo de sábado. Ainda não temos, até o momento de encerramento desse artigo, o resultado do referendo.
Catástrofes naturais também são assunto na china. Bem menor que a ocorrida em Mianmar, onde a ONU especula por volta de cem mil mortos, na China o número de mortos atingidos por um terremoto pode já ter chegado a 8.500. O governo dos EUA já ofereceu ajuda.
E para terminar, duas rapidinhas. Desde o fim da guerra fria a Rússia nunca havia realizado um desfile militar com a presença de mísseis e armas potentes de destruição na comemoração do dia da vitória contra as forças nazistas na segunda guerra mundial. Voltou a fazê-lo no último dia 08. O Kremlin, assim como Medvedev, presidente russo, e Putin, primeiro-ministro recém empossado, afirmam que, no entanto, isso não se configura como uma ameaça a nenhum país ou força, mas apenas como uma demonstração que as forças armadas e a marinha russas estão se reeguendo e ficando fortes. Fontes especializadas, entretanto, assinalam para um quadro distinto de falta de verba, baixa moral e defasagem tecnológica.
E no jornal britânico The Guardian, o jornalista Tom Phillips escreveu um artigo dizendo que o Brasil é um gigante que finalmente desperta. O artigo mostra que com o aumento dos preços das commodities, como a soja, o país vive um momento de crescimento econômico, de elevadas exportações, maior valorização em relação ao dólar, e aumento incomparável no mundo de sua parcela mais rica da população. O número de milionários, de acordo com a reportagem, aumentou no Brasil de 130 para 190 mil. A reportagem ainda afirma que num futuro próximo o Brasil pode se beneficiar pelos seus investimentos em biocombustíveis, podendo também se transformar em um grande produtor mundial de petróleo, com destaque para o bom serviço da Petrobrás. Phillips também afirmou, entretanto, que uma baixa no preço das commodities pode diminuir o ritmo de crescimento nascional e dissertou com maestria sobre como o Brasil já foi entitulado como o país do futuro há muitos anos atrás e como se perdeu no caminho com as crises mundiais e 21 anos de ditadura militar. A economista de FGV, Lia Valls, citada na reportagem apontou para as dificuldades que o Brasil ainda enfrenta na área de educação, qualificação da mão-de-obra, e infra-estrutura. É, mas Tom Phillips só esqueceu de observar uma coisa, na qual os países pobres como o nosso se distingue dos ricos como o dele: o aumento do número de milionários não necessariamente é positivo, e pode, em muitos dos casos, apontar também para uma maior concentração de renda, que por último, resulta em mais pobreza, mais desigualdade social e mais violência.
E isso é tudo.
J.F.
